Vereador Cabo Zanola entra com ação no STF contra artigo 166 do Código Penal Militar

O vereador Cabo Zanola da cidade de São João del-Rei/MG por meio do Partido Social Liberal (PSL) ajuizou no Supremo Tribunal Federal a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 475 contra o artigo 166 do Código Penal Militar (Decreto-Lei 1001/1969), que prevê pena de até um ano de detenção para o militar ou assemelhado que publique ou critique publicamente ato de superiores ou resoluções do governo.

Na condição de advogado, o vereador alega que o dispositivo, anterior à Constituição Federal de 1988, viola o direito fundamental à liberdade de expressão dos militares.

“O artigo 166 do CPM é uma violação latente dos direitos e garantias fundamentais dos militares, utilizado por ditadores que querem impor sua tirania contra uma classe que sofre calada. Pois bem, um médico quando vai para as redes sociais ou publica um artigo, nós utilizamos essas informações para fortalecer os mecanismos de saúde do nosso país. Um engenheiro ambiental quando concede uma entrevista, nós utilizamos essas informações para construir uma política pública ambiental muito melhor, mas e quando os militares vão para as redes sociais expor sua opinião, o seu exercício fundamental do direito constitucional da liberdade de expressão, ele é penalizado, censurado e perseguido”, explicou Zanola.

De acordo com trechos do documento que está em andamento no STF, o Código Penal Militar (CPM) está obsoleto. “Seus artigos têm como base o princípio da hierarquia e disciplina, que se contrapõem aos demais princípios do ordenamento jurídico brasileiro, em especial, ao princípio da liberdade de expressão”, sustenta, apontando a existência de conflito entre seu artigo 166 e os artigos 5º incisos IV, IX, XIV, e 220, caput e parágrafo 2º, da Constituição

Cabo Zanola cita como exemplo o caso recente do militar subtenente Marinho que após publicar em uma rede social um texto falando sobre o escalonamento de salários, sucateamento da segurança pública e demora no pagamento de diárias, responde atualmente dois inquéritos militares na situação de investigado em Minas Gerais.

Com foco mais específico nos policiais e bombeiros militares, o advogado afirma que grupos em redes sociais, sites e blogs foram criados como forma de livre manifestação, mas o resultado não tem sido positivo. “Vários integrantes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros são punidos por suas postagens, com sanções que vão de repreensões até prisões”, assinala. “O Código Penal Militar assinado em 1969 por ministros militares precisa urgentemente de uma análise e reforma, para que seu conteúdo se adeque à Constituição Federal de 1988 e aos princípios basilares da democracia”.

O partido pede a concessão de liminar para suspender, até o julgamento do mérito da ADPF, a aplicação do artigo 166 do CPM e de todos os inquéritos policiais militares (IPMs) e demais procedimentos baseados no dispositivo. No mérito, pede que o STF declare a não recepção do artigo pela Constituição Federal e sua consequente revogação.

O relator da ADPF 475 é o ministro Dias Toffoli.